ARTIGO_2

Como estabelecemos no artigo anterior, a utilização de gamification  num determinado contexto, pode ter impacto muito positivo na motivação e envolvimento dos utilizadores e incentivar a adopção de comportamentos desejados. Relembrando a sua definição, a gamification consiste então no uso de mecânicas, de dinâmicas e de psicologia de jogos em contextos que não sejam… jogos. Importa portanto perceber, antes de mais, o que são as mecânicas do jogo?

 

Mecânicas são elementos que, combinados, resultam na estrutura natural ou artificial de um corpo, produzem um mecanismo, um resultado pretendido.

 

Num jogo, as mecânicas são os agentes, objetos, elementos e as suas relações dentro do mesmo. Definem o jogo como um sistema sujeito a regras, têm um input, um processo e, consequentemente, um output ou mecanismo de feedback.


Analisando um jogo de tabuleiro como o Monopólio, as mecânicas são nada mais nada menos do que as relações entre o tabuleiro, as peças e as regras que compõem o jogo. Facilmente identificamos o percurso no tabuleiro de jogo, as casas, os peões, as notas. Estes são os elementos/materiais que necessitamos para jogar. Temos também as regras que ditam como usar esses materiais: quantas vezes devemos usar os dados, qual o montante de dinheiro atribuído a cada jogador no início, quais as consequências quando um peão “cai na prisão”, etc. Este conjunto de elementos e de regras constituem assim as mecânicas de um jogo e são, como viram, facilmente identificáveis.

 

Na “vida real” estas mecânicas podem não ser tão óbvias mas, ainda assim, podem também ser observadas em diversos contextos. É um primeiro passo para que depois a gamification  as possa utilizar e otimizar para atingir os objetivos/comportamentos pretendidos.

 

 Vejamos por exemplo um comum sistema de força de vendas. Conseguimos identificar a existência de mecânicas imprescindíveis, nomeadamente pela presença de elementos como: os colaboradores, os produtos, os recibos de venda, o dinheiro… Podemos também identificar que o registo da venda é uma regra obrigatória para que este sistema funcione.  O que a gamification é capaz de fazer é reestruturar e melhorar estas mecânicas já existentes, otimizando as suas regras, providenciando mais feedback e criando um propósito comum, de forma a desenvolver o sistema de interação entre os diferentes elementos do sistema de vendas.

Imaginemos que por cada venda os jogadores seriam recompensados com pontos, que os melhores num dado setor comercial receberiam um crachá que sinalizasse o momento, que a qualquer momento, cada jogador conseguiria ver em que posição se encontra na sua equipa, a nível regional ou até a nível nacional. Imaginemos que os responsáveis de cada equipa poderiam desafiar dinamicamente os seus colaboradores a ultrapassar metas específicas, e que no final, cada colaborador poderia usar os seus pontos para adquirir bens ou serviços.

Os outputs provenientes destas mecânicas de jogo provocam diferentes respostas ou reações no jogador, criando emoções como a alegria, a curiosidade ou até a camaradagem. Isto é, dão origem às chamadas dinâmicas de jogo, que explicaremos no próximo artigo e de que forma podem ser utilizadas na gamification.

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